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10 sugestões para falar sobre deficiência e inclusão com as crianças

As crianças desde muito novas percebem as diferenças entre as pessoas e fazem perguntas sobre o que veem. Cabe aos pais mostrarem-se abertos ao diálogo e esclarecer as dúvidas dos filhos

Por Thainá Zanfolin para o cangurunews.com.br

Buscar a convivência com pessoas com deficiência é uma forma de promover a inclusão

Datas como 21 de setembro – Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência – e 3 de dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência – buscam difundir informações sobre diversidade e ampliar a conscientização da importância da inclusão na sociedade. No geral, crianças com deficiência tendem a ser rotuladas e vistas apenas pelos seus impedimentos. Para mudar essa visão, os pais devem mostrar aos filhos o valor da diversidade humana e incentivar que convivam com crianças diversas.

As crianças desde muito novas percebem as diferenças entre as pessoas – em relação ao gênero, cor da pele, forma de falar, não enxergar ou usar cadeira de rodas, por exemplo – e fazem perguntas sobre isso, explicam as educadoras Kátia Cibas e Lailla Micas, em artigo publicado na Canguru News. “Esse tipo de curiosidade é natural e cabe aos adultos dar aos pequenos respostas respeitosas que valorizem a diversidade humana e incentivem o convívio entre todos”, afirmam as educadoras, que são integrantes do Instituto Rodrigo Mendes, ONG que atua a favor de uma educação de qualidade para pessoas com deficiência.

Promover esse diálogo com os filhos, no entanto, nem sempre é fácil. Fabiana Gutierrez, co-fundadora de Carlotas, instituição que fala sobre diversidade para crianças, diz que muitas vezes, anulamos ou nos retiramos do assunto por medo de abordar algo desconhecido para nós mesmos”. “É natural que assuntos que não conhecemos nos tragam desconforto, portanto, é nossa responsabilidade reconhecer o nosso ‘não-saber’ e pesquisar sobre ele”, diz.

O papel da família

Para Fabiana, é preciso ter diálogo aberto e acolhedor para que os filhos falem sobre suas dúvidas. As respostas, diz a co-fundadora, devem ser dadas em linguagem adequada à idade, para que os pequenos compreendam o que foi dito, lembrando que é responsabilidade dos pais ampliar o repertório da criança.

Janaína Spolidorio, especialista em educação, afirma que é preciso ser o mais franco possível com os filhos: caso não saiba sobre um assunto ou informação, é interessante convidar a criança a pesquisar junto com você. “A informação é o que temos de melhor em relação à inclusão e à deficiência. Com a informação prevenimos o preconceito”, opina a especialista.

Na escola, é possível que a criança tenha contato com amigos que apresentem alguma deficiência, contribuindo assim para que se familiarize com o assunto. Por lei, o ambiente escolar precisa oferecer as condições adequadas de inclusão, que vão desde aspectos relacionados ao espaço físico à frequência nas aulas regulares com todos os alunos.

Dicas para conversar sobre deficiência e inclusão

Uma das principais preocupações na hora de conversar sobre deficiência e inclusão com as crianças são as formas de falar sobre o assunto com elas. A Diversa, uma plataforma que compartilha experiências de educação inclusiva, ressalta a importância de não se referir a pessoas com deficiência com tom ou palavras que tenham denotação de inferioridade.

“Coitada”, “doentinho”, “downzinho” são alguns exemplos apontados que não devem ser utilizados. Segundo a plataforma, “desconstruir a ideia de que a criança com deficiência é vítima ou uma pessoa especial é o primeiro passo para educar para a diversidade”. Abaixo veja outras dicas dadas pelas especialistas para abordar o tema da deficiência com as crianças.

Incentive a convivência com pessoas com deficiência. É importante permitir, desde cedo, que todas as crianças tenham contato entre si, brinquem e frequentem ambientes diversos.

Trate a pessoa com deficiência sem rótulos. Mostre para as crianças que, tal como qualquer cidadã ou cidadão, a pessoa com deficiência tem direito de estar nos lugares, participar das brincadeiras e realizar o que quiser, com a diferença de que, dependendo do tipo de atividade ou tarefa a ser realizada, pode precisar de apoio.

Observem suas habilidades. Peça para a criança destacar quais são as habilidades que o amigo ou a amiga com deficiência possui, fazendo assim com que sejam percebidos outros aspectos para além das dificuldades que ele ou ela apresenta.

Permita uma conversa franca sobre o assunto. Quando as crianças se sentem seguras para tirar suas dúvidas, explicar sobre diversidade e inclusão se torna algo mais fácil.

Ouça atentamente as dúvidas das crianças. Deixe que falem sem interrupções para entender a linha de raciocínio para só então fazer mais perguntas ou determinada afirmação.

Pesquisem juntos. Se a criança apresentar uma curiosidade específica sobre alguns dos assuntos, pesquisem juntos sobre o tema.

Cuide do seu próprio discurso. As falas dos adultos são vistas quase que como verdades absolutas e, por esse motivo, reproduzidas. Evite, portanto, chavões, não se prenda a respostas genéricas ou pré-conceitos estabelecidos.

Leia livros.Muitos livros de histórias trazem narrativas sobre diferenças, não apenas de inclusão, mas de diversidade social, cultural e de gênero que podem ser lidos e comentados junto com os adultos.

Aproveite os assuntos do momento. Paraolimpíadas, personagens de desenhos, notícias e outros assuntos do momento podem ser aproveitados para falar sobre deficiência com as crianças.

Amplie o repertório. É interessante escolher animações, filmes ou livros que incentivem a discussão e despertem uma nova forma de encarar a diversidade.

Definição de pessoas com deficiência

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), são consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos de ordem física, mental, intelectual ou sensorial que podem dificultar sua participação plena, efetiva e com igualdade na sociedade.

ONG Sorriso Novo
ONG Sorriso Novo
Olá! A ONG Sorriso Novo é uma organização sem fins lucrativos e nasceu do sonho de seus fundadores em difundir ações solidárias nas mais diversas áreas, tais como: saúde, artes em geral, infância e adolescência, esporte, congressos e palestras, educação de pessoas carentes, idosos, população de rua, comunidades carentes. Desde 2001 temos atuado no Complexo da Maré promovendo diversas contribuições às famílias da comunidade. Com pouco mais de 10 crianças deficientes apadrinhadas, atualmente buscamos firmar projetos e parcerias a fim de aumentar o nosso alcance e ser capaz de oferecer maior assistência a população carente.

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