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22 de agosto: o dia do educador especial

Profissional se dedica a aprimorar o aprendizado de pessoas com deficiência, transtornos do desenvolvimento ou superdotação

Andréa da Luz para o ndmais.com.br

Em Florianópolis, 1.100 estudantes com deficiência são atendidos nos níveis infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos) – PMF/Divulgação

Nesta quinta-feira (22) se comemora o Dia do Educador Especial, uma homenagem aos profissionais que se dedicam à formação dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.

Esses especialistas incluem professores formados em educação especial, educadores físicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros. Eles trabalham em conjunto para proporcionar melhor aprendizado, interação nas atividades escolares e convívio social, tanto em sala de aula quanto nas salas de recursos multifuncionais.

Entretanto, para que essa inclusão ocorra de forma institucionalizada, o Brasil criou em 2008 a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da educação inclusiva. Além disso, a LBI (Lei Brasileira de Inclusão – 13.146/2015) também é referência no serviço de educação especial. Essa legislação, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, permitiu alguns avanços relacionados à conquista da autonomia dos deficientes nas áreas de saúde, educação, trabalho, assistência social, esporte, previdência e transporte.

No caso específico da educação, a LBI assegura a oferta de sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino; estabelece a adoção de um projeto pedagógico com atendimento educacional especializado e profissionais de apoio; e proíbe as escolas particulares de cobrarem valores adicionais por esses serviços.

O dia a dia nas escolas

A educadora especial Jéssica Brites atua nessa área há três anos. Atualmente, trabalha na Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, no bairro João Paulo, onde 24 estudantes – entre autistas, pessoas com outras síndromes e deficiência intelectual – são atendidos por três professoras especializadas. “Trabalhamos junto com professores regentes e auxiliares, atuando na questão comportamental e de adaptação curricular e, se necessário, fazendo alguma intervenção no ambiente para favorecer o desenvolvimento do aluno”, afirma Jéssica.

Segundo a professora, a maior dificuldade não é lidar com o aluno, mas vencer a resistência da inclusão em sala de aula. “Ela ainda está em processo, tanto nas escolas quanto em algumas famílias e o apoio de ambos é importante para o trabalho dar certo”, afirma.

A atuação desses educadores é de fundamental importância não apenas para quem tem deficiência, mas também para ajudar a vencer a estranheza que as diferenças causam nos companheiros de classe. “Temos três alunos com autismo nas turmas do 1º ano do fundamental e os primeiros contatos geram um estranhamento, mas logo os demais aceitam, aprendem a lidar e a reconhecer as dificuldades do estudante com deficiência”, diz a professora.

Nas salas multifuncionais, o foco é no atendimento individual. Realizado no contraturno escolar para aprimorar o processo de aprendizagem e interação social, o serviço conta com jogos,computadores e play table (mesa com jogos educativos) que estimulam o raciocínio lógico, a coordenação motora, a memória e a concentração. Nesses espaços também são produzidos e adaptados materiais que ajudam na alfabetização, de acordo com as necessidades específicas de cada estudante.

Capital catarinense é modelo nacional

Em Florianópolis, a rede municipal de ensino recebe alunos com todos os tipos de deficiência intelectual, física, sensorial (como cegos e de baixa visão, surdos e com audição parcial), autismo e altas habilidades/superdotação, desde o ano 2000. Mas a inclusão começou antes dessa data, com o atendimento de surdos e cegos na rede escolar.

Atualmente, 1.100 estudantes com deficiência são atendidos por 67 professores  nos níveis infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos) nas salas de aula e nas salas multifuncionais, disponíveis em 35 polos instalados em determinadas escolas, atendendo alunos oriundos de várias unidades no entorno. Já dentro das salas de aula, o professor regente conta com o educador especial e professores auxiliares para atender casos específicos, como o autismo e deficiências físicas graves.

Os professores recebem formação do município sobre a educação inclusiva. “Este ano, capacitamos os professores da rede para sensibilizar e fundamentar a concepção da educação inclusiva, oferecendo estratégias e recursos que desmistificam o estudante com deficiência. Essa formação é reforçada pelo especialista em educação especial dentro das escolas, junto com o professor”, diz a gerente de Educação Especial do município, Ana Paula Felipe.

De acordo com a gerente, todo esse trabalho serviu como referência para os documentos legais que resultaram na Política Nacional de Educação Especial. “Florianópolis é uma referência nacional nessa questão da educação inclusiva, que complementa e suplementa a escolarização dos estudantes”, afirma.

Professores especializados como Jessica Brites e Marilene Büttenbender (foto) dão suporte a alunos em salas multifuncionais e nas classes regulares – PMF/Divulgação

Inclusão aumentou quase 500% em dez anos

Segundo dados do Censo Escolar do MEC (Ministério de Educação), o número de alunos com deficiência matriculados em turmas regulares de escolas públicas aumentou 493% em dez anos, saltando de 81.695 estudantes no ano 2000 para 484.332 em 2010. Também em nível nacional, foram implantadas salas de recursos multifuncionais em 83% dos municípios e 42% das escolas públicas, de 2005 a 2010.

Em Santa Catarina, a educação especial é regulamentada pela Resolução 100/2016 do Conselho Estadual de Educação. São considerados público alvo dessa modalidade, as pessoas com deficiência, autismo, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e altas habilidades/superdotação.

Dados levantados pela Secretaria estadual de Educação em junho apontam que 842 escolas oferecem o Atendimento Educacional Especializado. O serviço envolve 6.527 segundos professores que atuam nas classes regulares e contraturno escolar, os quais prestam assistência a 15.034 estudantes com deficiência. A rede estadual conta atualmente com 523,9 mil estudantes matriculados.

ONG Sorriso Novo
ONG Sorriso Novo
Olá! A ONG Sorriso Novo é uma organização sem fins lucrativos e nasceu do sonho de seus fundadores em difundir ações solidárias nas mais diversas áreas, tais como: saúde, artes em geral, infância e adolescência, esporte, congressos e palestras, educação de pessoas carentes, idosos, população de rua, comunidades carentes. Desde 2001 temos atuado no Complexo da Maré promovendo diversas contribuições às famílias da comunidade. Com pouco mais de 10 crianças deficientes apadrinhadas, atualmente buscamos firmar projetos e parcerias a fim de aumentar o nosso alcance e ser capaz de oferecer maior assistência a população carente.

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