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Atendimento fonoaudiológico precoce garante maior evolução para crianças autistas

Gabrielle Yumi para o paineira.usp.br

A idade de início da terapia está relacionada à maior evolução clínica (Foto: Freepik)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se refere a um grupo de condições neurodesenvolvimentais caracterizado por uma quantidade de sintomas e níveis de habilidade. Apesar de afirmações de que o diagnóstico de TEA ocorre mais frequentemente hoje, ainda é válida a discussão de que talvez isso seja apenas resultado de melhores métodos de diagnóstico. Para além disso, é confirmado que os sintomas começam a aparecer nos primeiros 2 anos de vida e afeta as habilidades sociais do indivíduo. Intitulado “Atendimento fonoaudiológico a crianças com distúrbios do espectro do autismo: um estudo longitudinal”, a tese de Letícia Segeren buscou analisar os dados relacionados às crianças e adolescentes que realizaram avaliação e atendimento nos últimos 21 anos no Laboratório de Investigação Fonoaudiológica nos Distúrbios do Espectro do Autismo (LIFDEA) da USP.

Ao agrupar os dados, a pesquisadora percebeu que estavam assimétricos, tornando impossível realizar uma análise aprofundada com todos eles. Assim, dividiu-os em dois estudos. O primeiro estudo contempla todos os prontuários de pacientes que realizaram terapia fonoaudiológica entre janeiro de 1997 e dezembro de 2017. Ao analisar as informações, observou-se que a taxa de abandono do tratamento é alta e que a idade de início da terapia não está relacionada à maior manutenção do tratamento. A média de idade encontrada de início da terapia foi de seis anos.

Letícia explica: “O objetivo era ver se a idade que os pais trazem a criança está relacionada à melhor adesão, mas não observamos essa relação. Já no estudo dois, queríamos saber se o fato de o paciente começar o tratamento mais cedo está relacionado com uma maior evolução e concluímos que sim”. Assim, quanto menor a idade da criança, maior é o número de atos comunicativos por minuto que ela apresenta durante uma sessão, assim, melhor o desenvolvimento.

No segundo estudo, foram selecionados os pacientes que realizaram atendimento no LIFDEA entre os anos de 2011 e 2017 e para os quais foram obtidos dados completos referentes ao protocolo do Perfil Funcional da Comunicação (PFC) aplicados semestralmente. O PFC analisa como está ocorrendo a comunicação e quais são as funções comunicativas que ocorre.

Assim, a pesquisadora encontrou correlação positiva entre o número de respostas no PFC, o escore do desempenho sociocomunicativo e os atos comunicativos com funções mais interativas. A evolução clínica foi observada em protocolos com três anos de intervenção, sendo que no estudo dois a média de idade no início da terapia foi de cinco anos e meio.

Letícia afirma a atualidade da questão e sua importância: “Quanto antes começar o atendimento, melhor. Existem estudos que mostram todos os benefícios que a intervenção precoce traz, então um dos objetivos deste estudo foi evidenciar na prática que, quanto antes a criança chega, melhor a evolução dela”.

ONG Sorriso Novo
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Olá! A ONG Sorriso Novo é uma organização sem fins lucrativos e nasceu do sonho de seus fundadores em difundir ações solidárias nas mais diversas áreas, tais como: saúde, artes em geral, infância e adolescência, esporte, congressos e palestras, educação de pessoas carentes, idosos, população de rua, comunidades carentes. Desde 2001 temos atuado no Complexo da Maré promovendo diversas contribuições às famílias da comunidade. Com pouco mais de 10 crianças deficientes apadrinhadas, atualmente buscamos firmar projetos e parcerias a fim de aumentar o nosso alcance e ser capaz de oferecer maior assistência a população carente.

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