Síndrome de Down não é sinônimo de deficiência intelectual

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Síndrome de Down não é sinônimo de deficiência intelectual

Em entrevista ao #blogVencerLimites, especialistas do Instituto Rodrigo Mendes falam sobre os desafios da educação inclusiva, o respeito aos direitos das pessoas com deficiência e a busca pelo reconhecimento da diversidade. No dia 21 de março (21/3), celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down.

Luiz Alexandre Souza Ventura para o Estadão

IMAGEM 01: Em entrevista ao blog Vencer Limites, especialistas do Instituto Rodrigo Mendes falam sobre os desafios da educação inclusiva, o respeito aos direitos das pessoas com deficiência e a busca pelo reconhecimento da diversidade. No dia 21 de março (21/3), celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down. Nome é uma referência ao médico inglês John Langdon Haydon Down, o primeiro a relatar, entre os anos 1864 e 1866, características da ocorrência genética. LEGENDA PARA CEGO VER: Foto de uma mulher de traços orientais que está com os olhos fechados e sorri levemente, enquanto segura um bebê que tem síndrome de Down. A criança olha diretamente para a câmera. Crédito da foto: Reprodução

Aline Santos é coordenadora do Diversa, projeto do Instituto Rodrigo Mendes. Luiz Henrique de Paula Conceição é pesquisador e coordenador do programa de formação em educação inclusiva do IRM.

Em entrevista ao #blogVencerLimites sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado no dia 21 de março (21/3), os especialistas falam da busca pelo reconhecimento da diversidade, o respeito aos direitos das pessoas com deficiência e os desafios da educação inclusiva.

#blogVencerLimites – A Síndrome de Down é uma referência quando se fala em deficiência intelectual, principalmente em reportagens sobre inclusão no trabalho ou sobre pessoas com deficiência em geral. Qual a avaliação sobre essa situação? Por que isso ocorre? Essa referência é correta?

Instituto Rodrigo Mendes – Essa referência direta é um mito. É importante esclarecer que Síndrome de Down não é sinônimo de deficiência intelectual, o que significa que algumas pessoas têm e outras não têm o comprometimento cognitivo.

Essa condição também não é uma doença, mas uma síndrome genética relativa à trissomia do cromossomo 21. Por isso, quem tem Síndrome de Down não é ou está doente nem precisa de tratamento ou cura.

Essa ideia vem do desconhecimento sobre o assunto e por existirem algumas doenças que têm alta recorrência nos indivíduos com essa síndrome. Elas aparecem em graus diversos e, por isso, não se pode reduzir essas pessoas a possíveis quadros clínicos genéricos que não expressam suas características mais significativas.

Ter uma deficiência representa, em geral, conviver com o estigma da impossibilidade, da incompetência e da inferioridade. Quando tratamos da educação, por exemplo, é comum encontrarmos professores e outros atores da comunidade escolar que desconhecem alguns princípios básicos da educação inclusiva.

A educação é um direito, não é favor. Toda criança aprende e esse processo de aprendizagem é singular. É importante lembrar da diversidade que existe dentro de um grupo de pessoas com Síndrome de Down, assim como em qualquer outro. Cada pessoa tem suas características.

#blogVencerLimites – Quais os desafios atuais das pessoas com síndrome de Down? E de suas famílias?

Instituto Rodrigo Mendes – Percebemos por meio da nossa atuação em formação e pesquisa na área de educação inclusiva que o desafio das famílias está relacionado ao ingresso e permanência dos estudantes nas unidades escolares.

Houve um importante aumento no acesso de estudantes com deficiência à educação. O Censo Escolar (Inep/2016) registrou quase 800 mil matrículas, 93% na escola regular.

É importante ressaltar que aproximadamente 15% da população mundial têm algum tipo de deficiência (dados da Organização Mundial da Saúde) e que em nossas escolas temos apenas 3% de estudantes com deficiência matriculados no ensino fundamental nos anos iniciais. Significa que ainda temos um longo caminho a percorrer.

Dentro da luta das famílias que têm pessoas com síndrome de Down se destaca a participação das APAEs. Citamos a Apae de São Paulo, que fechou a escola especial sob sua responsabilidade em 2010 e passou a se dedicar ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Esse serviço cria meios e modos para que todos os estudantes com deficiência tenham acesso ao currículo socialmente construído, são trabalhadas formas de ensinar os conteúdos que são ministrados pelos professores das salas de aula comum. Essa articulação entre atendimento educacional especializado e sala de aula comum é fundamental para o sucesso escolar desses estudantes.

Além disso, os desafios mais frequentes apontados pela Diversa – com dúvidas e respostas sobre inclusão escolar enviadas por uma rede de educadores, familiares e gestores públicos – têm se concentrando em como ampliar as possibilidades de aprendizagem de estudantes com Síndrome de Down.

Ao longo das décadas, pesquisas e experiências bem-sucedidas desmitificaram a ideia de que haja uma ‘receita’ para ensinar esses estudantes. Duas com o mesmo diagnóstico podem reagir de modos diferentes a uma mesma intervenção.

A recomendação dada aos educadores é a de conhecer todos de forma individual, perceber como cada um aprende e valorizar suas singularidades. Temos alguns exemplos de encaminhamentos possíveis, especificamente relacionados com a síndrome de Down.

IMAGEM 04: A sociedade pode promover a superação coletiva de barreiras para a inclusão de indivíduos com síndrome de Down. LEGENDA PARA CEGO VER: Jovem que tem síndrome de Down olha para a tela de um tablet enquanto manuseia o equipamento. Ele tem cabelos claros e veste camisa azul. Crédito do foto: Reprodução

#blogVencerLimites – Houve mudanças substanciais, principalmente nos últimos tempos, no que diz respeito a conhecimento, preconceito, discriminação e exclusão de pessoas com Síndrome de Down?

Instituto Rodrigo Mendes – Uma mudança importante, impactada pelo aumento do acesso desse grupo à vida escolar, é uma maior representatividade das pessoas com síndrome de Down em espaços sociais como o trabalho. Essa convivência pode favorecer muito o aprendizado coletivo, que pressupõe identificar e transpor barreiras de atitude e de comunicação entre os diferentes sujeitos em interação.

Transpondo essa análise para o ambiente escolar, a inclusão de crianças com deficiência na sala de aula e a mediação de conflitos podem ser uma oportunidade para mostrar para os pais e estudantes que a criança com deficiência é como as outras.

Ela tem sua singularidade, o que é natural tendo em vista a diversidade humana, e se a escola e família atuarem juntos, com certeza essa criança terá muito mais condição de se desenvolver, de ter autonomia, de poder interagir com os demais, se construir e ser o sujeito de sua própria história.

#blogVencerLimites – Há alguma nova informação pouco conhecida, mas muito importante nesse universo?

Instituto Rodrigo Mendes – Foi lançada neste ano pela Escola de Gente a campanha ‘Talk It Easy’, uma mobilização sobre a transformação da comunicação por meio da linguagem simples, apontando a urgência em se avançar na busca pela quebra das barreiras comunicacionais.

O anúncio foi feito pela escritora e jornalista Cláudia Werneck, fundadora da instituição, na conferência Zero Project 2018, na Áustria, evento que tem a acessibilidade como tema central e busca práticas inovadoras em todo o mundo que contribuam para a inclusão.

O importante nesse movimento é a estratégia para expandir as possibilidades de comunicação de modo que qualquer assunto seja melhor compreendido, seja por pessoas que tem baixo letramento, dificuldade de aprendizagem temporária ou permanente, considerando aqui questões relacionadas a idade, origem estrangeira e também características como a deficiência intelectual.

Avanços na acessibilidade também são importantes e têm sido apontados na educação por meio de materiais pedagógicos acessíveis a todas as crianças.

No Diversa foi criado um acervo de materiais desenvolvidos por educadores a partir de recursos simples, considerando diferentes particularidades dos estudantes, impactando positivamente em todas as alunas e alunos durante o processo de aprendizagem.

IMAGEM 05: Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposto em 21/3 pela Down Syndrome International em alusão à trissomia do 21. LEGENDA PARA CEGO VER: Logomarca do Dia Internacional da Síndrome de Down nas cores vermelho e azul. O símbolo tem o número 21 e as palavras World Down Syndrome Day. O desenho do número 2 completa um coração que tem o mapa do mundo dentro. Abaixo está o endereço www.WorldDownSyndromeDay.org. Clique na imagem para acessar a página do movimento. Crédito da foto: Reprodução

Sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down, dizem os especialistas do IRM, é importante pensar na luta do movimento e de tantos outros grupos que buscam o reconhecimento de sua própria diversidade e o respeito aos seus direitos.

A sociedade pode promover a superação coletiva de barreiras para a inclusão de indivíduos com síndrome de Down, seja na escola, trabalho ou qualquer outro ambiente de convivência, ao ver a deficiência como algo relacional, com respeito às diferenças. Este é, segundo Aline Santos e Luiz Henrique de Paula Conceição, o caminho rumo à igualdade e inclusão.

Fonte: Estadão

ONG Sorriso Novo
ONG Sorriso Novo
Olá! A ONG Sorriso Novo é uma organização sem fins lucrativos e nasceu do sonho de seus fundadores em difundir ações solidárias nas mais diversas áreas, tais como: saúde, artes em geral, infância e adolescência, esporte, congressos e palestras, educação de pessoas carentes, idosos, população de rua, comunidades carentes. Desde 2001 temos atuado no Complexo da Maré promovendo diversas contribuições às famílias da comunidade. Com pouco mais de 10 crianças deficientes apadrinhadas, atualmente buscamos firmar projetos e parcerias a fim de aumentar o nosso alcance e ser capaz de oferecer maior assistência a população carente.

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