“Temos que andar para frente, para um mundo inclusivo”

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“Temos que andar para frente, para um mundo inclusivo”

O #blogVencerLimites publica até o dia 31 de dezembro uma série de artigos exclusivos, escritos por convidados, sobre as expectativas para o ano de 2021. Leia o texto de Carolina Videira, fundadora da Turma do Jiló.

Luiz Alexandre Souza Ventura para o Estadão

O desafio de tornar a diversidade um diferencial para as empresas – Rastro  Sustentabilidade

Artigo de Carolina Videira*

No início do ano, quando entramos em quarentena, escrevi um artigo relatando o quanto ser mãe de uma criança com deficiência me treinou para o isolamento social. Mesmo quem se sentia minimamente preparada, como eu, ficou surpresa com tudo o que aconteceu. Ninguém sabia por quanto tempo iríamos viver sem escolas funcionando, trabalhando de casa ou com medo nas ruas, longe dos nossos – e muito menos o que aconteceria com a política, a educação, a saúde, a economia, os relacionamentos… com a moral.

Chegando agora ao final desse ciclo, ainda em pandemia, nos encontramos num cenário também atípico. Ao invés de fechamento e descanso, todo mundo só pensa em reabertura e agitação; ao invés de retrospectiva e análise, escuto as pessoas querendo esquecer 2020.

Será que nossas promessas e balanços também não caíram no esquecimento? Quais eram nossos planos de crescimento e atuação no mundo antes da pandemia nos engolir? O mundo que queremos não vai chegar se estivermos presos a crises ao invés de agir. E o que é a crise, se não a oportunidade de fazer diferente? De separar, depurar, limpar. É tirar o que não funciona mais. É sempre depois de uma crise que vemos nossos melhores aprendizados. Crise serve para gerar justiça quando a gente tem ideais fortes e sabe aonde quer chegar. Temos que nos livrar dos nossos preconceitos para sair do lugar.

Ninguém passou ileso neste ano. Não temos mais como achar que o “novo normal” vai acabar e cair no esquecimento. Não temos caminho de volta. Temos é que andar para frente, para um mundo inclusivo. E incluir é verbo, é ação, é fazer algo em prol do outro.

Ao longo desde ano, com as escolas fechadas, encontrei dificuldades para seguir em frente com nosso trabalho. Mas esse 2020 turbulento também nos deu vitórias e avanços: usamos tecnologia para criar uma live linda para pais e profissionais da educação que se transformou em trilhas de educação do Canal Futura. Iniciamos o projeto Escola de Impacto para trazer mais consciência social para jovens do ensino privado e empresas. Lutamos incansavelmente para evitar retrocessos da LBI (Lei Brasileira de Inclusão).

Em nenhum momento pensei em desistir. Não temos esse privilégio, ainda mais agora, quando todas as mazelas e desigualdades profundas ficaram ainda mais expostas no Brasil e no mundo.

Eu sei que não é fácil. Nunca foi, mas esse ano potencializou nossas dificuldades. Perdemos vidas e encontramos solidão, pessimismo, corações endurecidos e até indiferença. Mas se soubermos dosar conhecimento científico, vontade e sensibilidade, podemos estender nossas mãos e ser parte da mudança que tanto almejamos.

Toda essa percepção precisa ser considerada e interiorizada para nos munir de coragem. Uma coragem que nos faça pensar e agir para a construção de um 2021 mais justo.

Termino essa retrospectiva com esperança por um mundo melhor. Não apenas pela chegada do ano novo – ou de uma vacina -, mas também porque acredito que podemos, sim, ser humanos.

Que venha 2021 (sem esquecer o que foi 2020).

*Carolina Videira é fundadora da Turma do Jiló, associação sem fins lucrativos que trabalha pela educação inclusiva no Brasil.

ONG Sorriso Novo
ONG Sorriso Novo
Olá! A ONG Sorriso Novo é uma organização sem fins lucrativos e nasceu do sonho de seus fundadores em difundir ações solidárias nas mais diversas áreas, tais como: saúde, artes em geral, infância e adolescência, esporte, congressos e palestras, educação de pessoas carentes, idosos, população de rua, comunidades carentes. Desde 2001 temos atuado no Complexo da Maré promovendo diversas contribuições às famílias da comunidade. Com pouco mais de 10 crianças deficientes apadrinhadas, atualmente buscamos firmar projetos e parcerias a fim de aumentar o nosso alcance e ser capaz de oferecer maior assistência a população carente.

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